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Lua Nova de Câncer

23 de jul.
5 min de leitura

Essa lunação é uma das mais poderosas do ano em termos de potencial, de fazer crescer o que pode nascer dali, uma vez que a Lua se encontra em Câncer, seu domicílio, signo cardinal da Água – a água primeira, primordial, condição necessária para dar vida a tudo o que pode vingar a partir dali.

O signo de Câncer é o útero do Zodíaco, onde ocorre a gestação da intimidade, o berço das almas. Como signo de Água, não cria – apenas acolhe, nutre e faz crescer o que antes já fora criado. É o lugar, ou matriz, onde a vida é concebida ou recebida, e se aprende a pertencer, mesmo antes de aprender a agir.

O signo de Câncer é a casa da Lua. É como a casca que o Caranguejo leva a todo lugar por onde vai, é o lago da existência onde habita profundezas, seu lar é o manguezal, berçário da natureza, fábrica de nutrientes, filtro natural que absorve os poluentes, o ecossistema mais produtivo do planeta, onde tudo pode nascer. A presença da luz, energia e calor da vida do Sol ali, no signo de Câncer, em conjunção com a Lua – nesta Lua Nova - é como uma lareira acesa, e a lareira é o coração da casa: - ilumina e aquece a casa por dentro, e potencializa a Lua tornar-se plenamente aquilo que nasceu para ser.

A Lua Nova de Câncer (14/7) é precedida pela Lua Cheia de Câncer em Capricórnio (23/6)

O "pensamento-semente" da Lua Cheia de Câncer/Capricórnio

“Eu construo uma casa iluminada e lá eu habito.”(Alice Bailey)


Essa "casa iluminada" é a luz plenificada da lareira acessa desde a Lua Nova de Câncer. A Lua Cheia iluminando a noite, e todo o planeta, o nosso “oikos”, nossa “oca”, o sentido de pertencimento: a casa que a humanidade habita, toda acesa. A natureza da Lua Nova - A Lua-Semente

A Lua Nova é como uma semente – ou seja: uma potência. Ela contém uma possível árvore, mas nada garante que ela venha existir. Esse é o grande desafio de toda Lua Nova, que como Lua-Semente, precisa deixar de “vir a ser” para "ser": tornar-se plenamente o que nasceu para ser.


Como toda semente, a Lua Nova guarda em si a máxima potência da muda, a possibilidade de, ao longo do tempo tornar-se uma árvore plena. Mas o fluxo de tempo carrega em si a presença da contingência, então a sujeita ao fluxo de tempo. Em potencial, a semente também guarda em si a possibilidade de não nascer. Toda potência verdadeira inclui também a potência de não se realizar.

“Há sementes que morrem sem ter nascido.”

Esta possibilidade de não nascer,ou de algo vir a ser diferente do que era esperado, se faz mais presente à consciência coletiva a partir da percepção da presença de Urano no Sistema Solar, que desde a sua descoberta traz a marca da presença do acaso. Urano representa a irrupção da contingência.

Nem sempre a causa de uma semente não nascer é o acaso, às vezes é o descaso mesmo, a negligência ou a ignorância. Uma semente para crescer precisa de certas condições específicas, próprias da natureza da semente, mas externas a ela. Os nutrientes necessários, o lugar adequado, o momento propício de ser plantada são fatores exógenos, que se encontram na realidade objetiva. Então está na potência da semente tanto o mistério de se tornar a árvore inteira, e não ser nada diferente daquilo, afinal uma semente de manga nunca vai se tornar uma jabutucabeira, se encontram solo fértil, se as condições externas são contempladas. Mas também está na potência da semente a preservação da possibilidade de isso, ou daquilo, não acontecer, se não encontra as condições necessárias.

Desse mesmo modo o mapa natal de uma pessoa pode ser visto - como uma semente. Guarda em si toda a potência de uma pessoa, ou de um acontecimento. "Tudo o que acontece está escrito - mas nem tudo o que está escrito tem que acontecer." É onde se impõe a máxima de Korzybski:

“O mapa não é o território”.


Há uma abertura para possibilidades não pré-determinadas. Se não fosse assim, semente não seria “potência”, seria um destino. O mapa seria um testamento cósmico.


A Lua Nova de Câncer oferece as melhores condições para fazer a semeadura, tanto no sentido de iniciar projetos íntimos, pessoais (Câncer é um signo Cardinal de Água) como de semear no campo afetivo o que precisa criar raízes e dar sentido àquilo que faz sentido fazer.


Este signo ativado desde a anterior Lua Cheia (Câncer/Capricórnio). Esta Lua Cheia que antece a Lua Nova de Câncer não expressa apenas a polaridade da oposição do Sol de Câncer com a Lua em Capricórnio, revela algo mais, que veio da Lua Nova anterior em Gêmeos, e não em Câncer. Revela que duas Luas Cheias (no eixo Câncer/Capricórnio) podem ter qualidades muito diferentes dependendo da Lua Nova que as antecedeu – se a lunação foi de Gêmeos é uma coisa, se foi de Câncer, outra.


A última Lua Cheia Câncer/Capricórnio (29/6) culmina, ou revela, o destino da semente da Lua Nova anterior, que ocorreu em Gêmeos (14/6); e não com o Sol em Câncer, como seria o fluxo natural das coisas. No que diz respeito às ideias que foram plantadas na Lua nova de Gêmeos:

- será que estas ideias criaram raízes?


Para isso seria necessário gerar vínculos (na sequência desta lunação, o Sol muda de Gêmeos para Câncer), regar as ideias, fazê-las crescer em um campo/ambiente afetivo adequado. A Lua Cheia em Capricórnio, por ter o Sol em oposição em Câncer, necessita que fortes vínculos emocionais e afetivos sustentem responsabilidades mútuas em cuidar para que as ideias (de Gêmeos) vinguem, sejam nutridas e deixem de ser só pensamentos-sementes lançados ao ar para se tornarem uma estrutura de vida (Capricórnio).

A polaridade sentimento/trabalho (Câncer/Capricórnio) exige uma prova de concretude – de realidade, para as ideias plantadas na Lua Nova de Gêmeos. De nada valeria apenas gostar de determinadas ideias se elas não forem regadas, cultivadas, cuidadas, trabalhadas em ambiente afetivo e devidamente colocadas em prática;


Aqui vai uma dica – para compreender a verdadeira natureza de uma Lua Cheia – então - não basta olhar a oposição do momento – é preciso saber a qualidade do que foi plantado há quinze dias na Lua Nova anterior; como atravessou seu processo de desenvolvimento com a mudança de elemento do Sol. Uma Lunação não pode ser interpretada como um evento isolado, é um processo contínuo, e pelo fluxo do tempo é contingente, quando cada fase tem a memória da anterior e prepara a seguinte. A Lua Cheia deixa de ser apenas “ápice” – expressa um movimento invisível iniciado antes na Lua Nova.

O que, em sua vida, das ideias sementes lançadas na Lua Nova de Gêmeos – encontrou nutrição para criar raízes, se concretizar e plenificar em Capricórnio? Que frutos se mostram disponíveis nesta árvore para serem colhidos no devido tempo quando maduros?

A Lua Nova seguinte (Câncer), do dia 14/11, continua a sequência, precedida por essa Lua Cheia em Capricórnio com o Sol em Câncer. Há uma exigência de congruência entre o que a culminância da Lua Cheia traz, com o novo plantio. Como os frutos não caem muito longe do pé, as novas sementes precisam ser regadas por sentimentos e ações congruentes, fazer apenas o que faz sentido: "- só faz sentido o que é sentido".


Depois de tudo o que foi dito – é possível afirmar que a Lua Nova em Câncer é o instante em que o céu se torna esse útero – o signo de Câncer é o útero do Zosíaco - portanto não é o tempo de colher nem de mostrar frutos – é tempo de confiar à terra as sementes daquilo que pede uma vida inteira para amadurecer. Tem coisas que plantamos nessa ocasião, como árvores seculares, que talvez se estendam para além de uma vida humana, e os frutos do que plantamos não sejam vistos, mas ficam como legado para todos, e guardam em si a memória do que somos que não se apaga nunca.


 
 
 

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