Quem tem medo de Saturno?

Por que tanta gente tem medo dos trânsitos de Saturno?

O medo é uma emoção viva, poderosa e ativa os gatilhos semânticos de reação, cada vez que é atribuído um significado de ameaça ou de perigo, diante de uma situação. Significados dependem da visão que direciona o olhar, e da lente escolhida colocada sobre aquilo.

Há mais de 2000 anos, a palavra Saturno e seu símbolo estão impregnados de significados negativos: o grande maléfico, o Senhor do Karma, a mão do destino, o peso e as perdas, pedras no caminho, obstáculos e dificuldades, o comedor de filhos, o tempo que inexoravelmente a todos devora. Ainda hoje, para muita gente, Saturno é uma espécie de "bode expiatório" para as culpas e desculpas dos sinistros: - ah, isso não é culpa minha, é por causa do trânsito de Saturno! Pois bem, como diz a poeta inglesa, Portia Nelson, em sua "Autobiografia em 5 capítulos":

"Capítulo 1: Ando pela rua Há um buraco no fundo da calçada Eu caio Estou perdido, sem esperança Não é culpa minha Leva uma eternidade para encontrar a saída..."


Buracos, grutas, cavernas podem representar o mundo em que a mente se encontra aprisionada por grilhões de crenças limitadoras, sem conseguir enxergar a própria responsabilidade e participação na trama da construção da realidade à qual está submetida, e deste modo não vê saída. A realidade é vista de forma indireta, como bem descreve Platão na Alegoria da Caverna, projetada naquilo que lhe parece ser, por meio dos significados confusos atribuídos, desde a dimensão do desconhecido.

Este tipo de lente não ajuda a focar outros possíveis significados para a realidade e no desconhecimento das causas do infortúnio, Saturno pode ser uma boa forma de se manter ali, ou de não querer ver a própria responsabilidade pelo que lhe acontece. Olhar para Saturno, hoje, por este viés seria no mínimo anacrônico.


Paradoxalmente, na mitologia grega, o planeta Saturno corresponde ao deus Crono, o senhor do Tempo. Aquele que gera aquilo que ao mesmo tempo devora: "tudo que nasce do tempo, pelo tempo é destruído, como mostra o quadro de Goya".


Entre os significados atribuídos a Saturno esquece-se que, durante o reinado de Cronos na Idade de Ouro, os homens viviam como deuses e reis, em paz, sem medo. Eram a própria criação dos deuses Imortais do Olimpo. Não existia trabalho, pois a terra fértil e generosa tudo lhes dava, e produzia para eles. Os homens não envelheciam

O mito grega traz ideia arquetípica do que faz movido pelo medo. Revela que, por ter castrado o pai, Urano, Cronos, o caçula. passa assumir o poder sobre o mundo, mas junto com o poder vem o "medo" de que um de seus filhos o destitua do trono, e assim os devora, menos um: Zeus, no caso, engole pedras embrulhadas num pano acreditando que estaria comendo seu filho, tal é a sensibilidade de Saturno.


Saturno por ser a experiência do amadurecimento individual, traz lentes que não acreditam mais em Papai Noel, e reflete em seus ciclos, por meio dos trânsitos, os períodos em que o indivíduo se depara com o que é, e que não vai mudar: choque de realidade!

Então cabe a cada um reconhecer a responsabilidade pelo que acontece.

E quando alguém percebe o que não vai mudar, em si, ou no outro, ou numa determinada situação, tudo muda! Porque pára de tentar mudar o que não vai mudar, simples assim.

Se você muda de lente, muda a sua resposta à situação, então a situação também muda. Pode-se aprender com o tempo a tornar obstáculos em recursos e recursos em sabedoria e aprendizado.

Os trânsitos de Saturno também, por consequência, são épocas da vida em que a pessoa se depara com os próprios limites, e os limites a que está submetida, que não são seus. Fazer essa distinção entre um e outro traz um certo "empoderamento" e autoridade, ou permissão, na sentido de crença positiva, para não mais ficar em um lugar em que "entra mas não cabe".

Em uma mentalidade atual e pragmática, desenvolvida das crenças limitadoras que vêm do passado, ainda impregnada por esse símbolo da foice, deve inclui a percepção de que pertencemos a um mundo de relações e interconexões, onde tudo faz parte do todo e o todo é muito mais do que a soma das partes, e nada acontece isolado: os trânsitos de Saturno não estão "lá fora" e não determinam absolutamente nada que não corresponda ao que acontece "lá dentro" de cada um. Apenas refletem, por SINCRONICIDADE, o ponto de amadurecimento, ponto de partida para o enfrentamento da realidade, daquilo que é, que cada um é, do que tem feito ou deixado de fazer da sua própria vida, e principalmente do que sabe que, se não não assumir a sua parcela de responsabilidade, nem fazer nada, jamais vai saur dali, da caverna, da gruta. do buraco, e nada vai mudar.

Os antigos diziam que a maior severidade de Saturno ocorre quando este se encontra retrógrado, em sua máxima proximidade da Terra, e seu trono, em Capricórnio. Pois Saturno fica até setembro 2019 retrógrado, em Capricórnio, quando pára e depois volta a avançar para os últimos graus, a última etapa de sua passagem por seu signo, para então entrar em Aquário, ao final de 2020.

No Solsticio de Capricórnio de 2020, Crono encontra-se, depois 800 anos, com seu filho Zeus: eis a Grande Mutação.

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