O Sol no fulcro da Balança Signo de Libra - PARTE 1


♎ Libra é o sétimo signo na sequência do Zodíaco, desde o primeiro que é Áries; o primeiro acima da linha divisória do círculo que simboliza o ciclo total das estações do ano.


Ao dividir o círculo em dois semicírculos, como duas metades de uma laranja, ♎ Libra traz a noção de diferenciação, do Um ser diferente do Alter, ao mesmo tempo em que Uno inclui o Duo, e não apenas dualiza: podemos perceber a abóboda acima da linha, e a copa abaixo, como dois aspectos de uma mesma e única totalidade. - Se o ciclo total é o dia, podemos perceber o dia e a noite como duas partes de um mesmo dia. Enquanto o Sol está acima é dia visível, enquanto está abaixo é noite, e o Sol é invisível. - Se o ciclo total é o mês, podemos ver duas etapas: a época em que a Lua é visível no céu à noite, que é o período que vai da fase cheia à nova, e o período em que a Lua não pode mais ser vista, que vai da fase nova à fase cheia. Duas etapas de um mesmo mês. - Se o ciclo total é o ano, o ciclo das estações, podemos discernir os dois grandes períodos: aqueles seis meses que vão do equinócio da primavera ao equinócio do outono, passando pelo solstício de verão; quando os dias vão ficando maiores que as noites, depois diminuem e ficam iguais de novo. E aquele período dos outros seis meses que as noites ficam maiores que os dias, até o solstício do inverno, e então começam a diminuir em duração, até a chegada, de novo ao equinócio da primavera: são duas etapas do mesmo ano. Deste modo, Libra ♎ traz esta noção. Por começar exatamente quando começa o equinócio traz em si a marca da diferenciação que inclui o oposto: ao mesmo tempo que começa o outono no hemisfério norte, é o início da primavera para nós que vivemos abaixo da linha do equador. As duas estações estão presentes num único momento e se manifestam simultaneamente em todo o planeta, expressando a ideia de equilíbrio, harmonia e beleza. Pode existir glifo mais perfeito para representar o movimento das atividades vitais da natureza do que este de Libra: ♎ ?

Ao mesmo tempo que o símbolo remete a uma balança natural, um pêndulo cósmico, sideral, como uma espécie de instrumento de medida das diferentes qualidades do tempo, também traz a noção dos ciclos, o que induz à percepção do fluxo do tempo.

Não perceberíamos o tempo se não tivéssemos a noção os ciclos. Com a balança, um instrumento de pesos e medida, Libra evoca o desenvolvimento da racionalidade, estabelece relação entre coisas, tanto referencial como comparativa. É a capacidade de perceber o espaço como resultado da relação das coisas entre si, um modo subjetivo do aparecer das coisas no mundo, como um fenômeno que brota da relação da co-existência das coisas, tal qual a simultaneidade das estações equinociais. Mas principalmente traz a noção de que o tempo também é um fenômeno relacional, mas da sucessão das coisas, e não uma entidade estática e absoluta. É chegado em Libra o estádio do amadurecimento da consciência do Ser Humano em função do desenvolvimento do processo de diferenciação consciente do Eu em relação ao Outro, e à racionalização do processo que permite transcender o Eu e incluir o Outro. O germe naturalista, como semente da consciência do NÓS, está pronto para virar uma muda, para crescer e florescer a máxima potência do Ser.

O seu glifo indica uma cúpula, ou a abóboda celeste visível acima da linha do horizonte, que remete ao céu, e também à relação com o mundo. O mundo como uma instância superior, ou mais ampla, onde além dos dos astros, os planetas, estrelas e constelações, pelas quais nos orientamos no espaço e tempo, encontramos a dimensão social, das inter-relações sociais.

A Balança nos remete à busca do equilíbrio, o caminho do meio, a equidade, equanimidade, a mediatriz tão almejada desde as virtudes sinalizadas pela filosofia grega, pelo budismo no oriente e também pelo cristianismo, tal é o símbolo da cruz que demarca as estações do ano:

- o lado superior e menor da cruz representa o dia menor que a noite, o inverno no hemisfério norte com a chegada do Sol a Capricórnio, a festa do Solstício, o Natal. - o lado inferior e maior, representa os dias maiores que as noites, a chegada do Sol ao trópico de Câncer, solstício de verão; a festa do Sol, a festa do Grande Fogo: São João. - o braços iguais da cruz representam os equinócios: dias e noites com a mesma duração. Não é tão quente, nem tão frio, de um lado do planeta é o outono (norte), do outro lado é a primavera, no sul, que co-existem a um só momento. Em Libra e Áries, o Sol passa pelo Equador Celeste, onde Áries representa a eterna renovação da vida na primavera, celebrado pelo mistério da ressurreição na Festa da Lua Cheia de Páscoa.

A Balança, e com este o símbolo da Espada, nos remete à ideia de Justiça, consciência moral, ou princípio no qual devem estar ancoradas todas as interações sociais, dinâmicas das relações humanas.

Observe que LIBRA é o único signo do Zodíaco representado por um objeto inanimado sugerindo o conceito de imparcialidade, ou de distanciamento adequado de uma determinada situação, ou pessoa, que permite colocar os seus valores nos pratos da balança para "pesar", medir, apreciar de modo adequado, uma posição a ser tomada. Desse modo Libra pode ser visto como um símbolo de relação: de um lado o EU, do outro lado, o ALTER. EU com o Outro => EU + OUTRO => ENCONTRO. A posição de imparcialidade sinalizada pela Balança permite uma terceira posição perceptual, que surge da dinâmica da interação entre as pessoas: o NÓS!

O "NÓS" é uma "terceira pessoa", ou terceira posição perceptual. Como a Água: "H2O" => "H2" (uma coisa), "O"(outra coisa)="H2O"(uma terceira coisa).

EU + OUTRO = NÓS => O "NÓS" é muito mais do que a simples soma das partes, pois se trata de uma condição que surge espontaneamente da mútua e recíproca reversibilidade de de posições quando existe fluxo de entendimento ou significados, um "diá-logo" entre as partes, seja pelo DISCURSO, seja pela dança das atitudes, é quando se estabelece verdadeiramente uma relação. Deste modo, cada qual pode se colocar na terceira posição de observador ("NÓS"), e perceber a posição do outro (alteridade), e se de algum modo isso lhe tocar, lhe sensibilizar, ou fizer sentido, você pode fazer algo a respeito (compaixão), ou até mesmo mudar sua opinião, agora acrescido da perspectiva do outro, e engrandecer aquele seu ponto de vista inicial, particular, até então parcial, como era antes de estabelecer a interação no nível do "NÓS", e de colocar os pesos, e valores, nos pratos da balança. Ampliando este ideia, não interagimos com o outro apenas direta e horizontalmente numa relação de oposição do EU com OUTRO, de um modo isolado de outras circunstâncias, externas ou mesmo internas (de cada um), a não ser quando se trata de uma relação direta de imposição de autoridade, por obrigação, de submissão, ou de controle. É quando a discussão vira uma disputa. Um tenta convencer o outro sem procurar o consenso. Isto pode ser visto assim porque de acordo com o nosso mapa astrológico, o OUTRO é apenas 1/12 avos do mapa inteiro, não mais do que isso, e nem menos. Podemos interagir com o outro a partir de múltiplos pontos de vista (perspectivas, ou aspectos), perceber as dinâmicas das relações a partir do círculo das casas, do "mundo da vida", e deste modo surgem os diferentes tipos de relacionamentos, em diferentes níveis ou estágios de interação.

Podemos discorrer sobre cada um desses "aspectos", ou perspectivas, mas tudo começa com o olhar aberto para perceber o que o símbolo deste signo representa:

A linha horizontal inteira, abaixo, representa a natural oposição (EU e o OUTRO): este é o primeiro estágio de interação mais básico de todas as relações, experimentado pela grande maioria das pessoas nas mais diferentes idades.

Esta oposição pode ser vista como EU x MUNDO (indivíduo x sociedade), CULTURA X NATUREZA, DIA x NOITE, ÁRIES x LIBRA, etc...

É onde se estabelecem relações de reciprocidades com base no centramento no EU, de ambas as partes. A perspectiva da oposição é como um cabo de força. Um se aproxima, o outro se afasta. Este ou aquele se excluem mutuamente. Não há interatividade a não ser por certa imposição de autoridade, castigos, punições, ou busca de recompensas ou satisfação. Nesta representação da relação por oposição o que há é polarização, disputas para prevalecer uma posição, intransigência: não há escuta, há impermeabilidade, um nem espera outro terminar de falar, e já atropela com seu ponto de vista, e em muitos casos, até mesmo diz não quando concorda com o outro ponto de vista...

Mas o símbolo também nos sugere a existência de uma abertura, como se fosse o buraco de uma fechadura, pronta para receber uma chave que quebra a dinâmica da oposição. Esta abertura que existe no símbolo é a mesma que existe na base de nosso ser. Somos seres interacionais, construídos por nossa relação com as pessoas e com o mundo, desde o nascimento até a hora da morte, estamos nos relacionando de algum forma, uns com os outros.

Na Parte 2 vamos falar como que esta principal ATITUDE DE LIBRA de "CONJUGAR O NÓS" pode se tornar a chave que podemos usar neste "buraco da fechadura", para acessar a abertura que existe na base do ser relacional que somos, e fazermos a passagem para um outro estádio superior de interação com o outro, com o mundo, com a vida, integrando as múltiplas perspectivas e possibilidades que surgem quando nos colocamos receptivos a ouvir mais, sem julgar, a "con-siderar" e respeitar o sagrado ponto de vista do outro.

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